segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dunga, Pão e Circo

por Elaine Martins




Na última terça-feira, dia 11 de maio, o Brasil acompanhou a convocação da Seleção Brasileira. Imediatamente após o anúncio dos jogadores que concorrerão ao Hexa, as críticas negativas começaram a surgir.

Não entendo nada de futebol, e justamente por este motivo não me atrevo a tecer críticas quanto à convocação anunciada pelo técnico Dunga. Contudo, a avalanche de reclamações proferidas por quem entende, e também por quem não entende nada de futebol, fez-me lembrar dois versículos bíblicos de Mateus 7

"Não julgueis, para que não sejais julgados." Mt 7:1

"Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." Mt 7:5

Os versículos acima nos ensinam que não convém julgarmos ao próximo pois, se assim o fizermos, estaremos trazendo juízo para nós mesmos, uma vez que somos todos feitos do mesmo pó. Para melhor compreendermos a palavra julgamento, convém entender o significado de "julgar". Segundo o dicionário Michaelis, julgar pode ser considerado "decidir, resolver como juiz ou como árbitro, imaginar, supor, formar juízo acerca de." Neste momento, você deve estar pensando: será que pelo fato de eu não ter concordado com o anúncio feito por Dunga acabei por julgá-lo? Talvez sim, talvez não. Isto vai depender se sua opinião/constatação veio carregada ou não de julgamento.

Para exemplificar, note a diferença das frases dos dois torcedores abaixo:

Torcedor 1: "Não gostei da convocação, mas o Dunga deve ter lá seus critérios como técnico, e ele deve saber o que faz." - opinião individual expressa porém sem entrar nos méritos das razões de Dunga.

Torcedor 2: "Não gostei da convocação. O Dunga não estuda nada de futebol, não acompanhou a carreira dos caras, e agora convoca uns jogadores nada a ver ..." - esta opinião vem carregada de julgamento, pois somente aqueles que convivem com Dunga podem fazer constatações como "não acompanhou" ou "não estudou".

Não cabe a nós julgar ao próximo, pois os critérios que usarmos para condenar alguém por seus atos fatalmente recairão sobre nós mesmos, pois somos todos feitos do mesmo pó. Importante ressaltar que a constatação bíblica de problemas dos outros é diferente de julgamento, pois quando notamos que nosso irmão em Cristo está agindo incorretamente e fora dos padrões bíblicos cabe a nós ajudá-lo, mas sem julgá-lo, tendo a Bíblia como a base para alertá-lo de seus erros (leia em Gálatas 6:1)

Infelizmente já julgamos aos outros sem sequer nos darmos conta disto. Quem nunca se envergonhou ao dizer algo como "Fulano se atrasou de novo. Só pode estar dormindo" e mais tarde saber que a pessoa alvo da crítica estava seriamente doente? Eis uma exortação: em todas as situações de nossa vida redobremos o cuidado em não julgar nosso próximo pois isto seria tomar o lugar de Jesus, o justo juiz de todos os vivos e mortos (At 10:42)

Ainda sobre a convocação da seleção brasileira, convido você a ler o excelente texto abaixo escrito pelo PMorel que faz-nos refletir ainda mais sobre esta polêmica.

por PMorel

Estava assistindo "tv" estes dias, vendo a revolta dos brasileiros sobre a convocação da Seleção Brasileira de Futebol e eu também fiquei revoltado, mas não com a convocação do Técnico Dunga, e sim com a postura da imprensa, destes que estudaram e se dizem jornalistas, destes que se formaram pra fazer perguntas tolas e as vezes mal-intencionadas e do povo que se acha técnico e bom político.

Adoro futebol, porém, não quero ser mais um brasileiro metido a técnico e palpitar na convocação, tenho preferências de alguns jogadores que não foram convocados também, mas meu intuito aqui é outro.Meu objetivo aqui é levantar a bandeira (se é que consigo fazer isso) de uma indignação particular e que há muito queria manifestar.

Eu fico impressionado como o povo se manifesta contra algumas coisas que não são tão importantes para o País e para outros assuntos que deviam se manifestar não, simplismente cruzam os braços.

Contra convocação, contra o time que não foi campeão, contra o jogador que não está jogando aquilo que se esperava, muitos se manifestam, opinam, quebram tudo, ameaçam, xingam, acusam, enfim, revelam uma revolta que impressiona e alcança o país todo.Vira notícia, manchete de todos os jornais e passa muitas e muitas vezes na "tv" até enfiarem aquilo guela abaixo.

O que é feito de manifestação deste tipo ou algo parecido contra a má educação? Contra a precariedade do ensino que o sistema impõe aos alunos de todas as séries? Contra os políticos que fazem o que querem com o nosso dinheiro e com as leis do Brasil? Contra a pedofilia? Contra os "pastores" corruptos? O que está sendo feito contra os assuntos citados da parte do povo, da nossa parte? As manifestações que há em relação ao futebol se comparam com as manifestações destes assuntos de maior relevância?

Conheço alguns professores, mas tenho um amigo professor mais chegado e pude acompanhar um pouco mais de perto a sua revolta e manifestação contra o sistema, que junto com outros professores, reivindicaram seus direitos e, acima disso, reivindicaram os direitos dos seus alunos.
Quanto desta manifestação teve apoio da imprensa, dos jornais, dos jornalistas, desta casta toda que é contra a convocação do Dunga?

Tiveram a preocupação de divulgar o real motivo da manifestação dos professores e apoiá-los? Divulgaram o tratamento dos policiais(país dos alunos de muitos dos professores que estavam lá) a base de spray de pimenta, cacetete e balas de borracha em cima dos mestres?

Não! As notas que saíram e o comentário do povo/empresários eu vi e ouvi de perto.
A impressão que a mídia se preocupou em passar é que são vagabundos, só querem seu ajuste salárial, e foram tratados como bandidos.

Pergunto a você e respondo:

Sabe o que o povo quer? Pão e circo!
Sabe o que o povo quer? Ser enganadado.
Sabe o que o povo tem? Memória curta!
Exaltam aquilo que não merece exaltação e ridicularizam o que é realmente nobre.

Me pergunto e respondo:
Onde quero chegar? Não sei.
Vou mudar o mundo? Não.
Posso mudar alguns pensamentos? Talvez.
Posso levar alguém a refletir? Isso sim.

Penso, logo me revolto.

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